
Ele vem,
Chega sorrindo, manso, calmo e satisfeito.
Sério, satisfeito, educado e lindo.
Tímido. Fala da vida, dos pés, brinca.
Canta.
Elogia, agrada e se expõe.
Eu disfarço.
Naturalizo.
Sou aquele que o conhece e o recebe.
Quero seu corpo e permito sua vaidade.
Ele se envaidece.
Gosta das cores, dos sons e do Sol.
Carrega minha vida nas mãos. Desenvolto e seguro. O que me conforta.
Não peço, não faço nada.
Ele não faz, mas pede. Mesmo não querendo.
Ele sabe que lugar é aqui.
Que as sutilezas são falsas liberdades por detrás dos desejos.
Brinca.
Eu me deixo brincar,
Deixo-me flutuar no espaço lúdico do não.
Deixo-me nascer intérprete do virtual sentido das falas soltas.
Não controlo o que digo e não digo o que controlo.
Ele diz tudo o que quer (?).
Diz o que pode, com jeito de que não pode.
Propõe novos desenhos.
Reforça a tinta dos velhos rabiscos.
Espraio-me em felicidade palpável.
Ele exibe suas glórias de guerras perdidas.
Eu sucumbo em idéias do que virá.
Sinto-me sem nada.
Ele se percebe garboso. Rijo.
Invade.
Afirmo minha leveza entre luzes e poeiras coloridas.
Percebo sua reverência e seu deboche no desconforto de saber-se meu.
Eu o tenho, assim ele quer agora. Eu me tenho, assim ele prefere.
Saber-se meu é sua redenção e sua culpa. Ele está pleno.
Ele me quer, mas não me alcança. Eu o quero, mas não o suporto, fujo.
No espelho onde só minha imagem entra, reintegro-me. E assim abrigado rio.
No íntimo o mais recôndito e puro e vivo ardor renova a face corada. Ele se arrepia.
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