quinta-feira, 5 de junho de 2008

DE QUANDO SOU ALGO ÍNTIMO E NOVO.


Ele vem,

Chega sorrindo, manso, calmo e satisfeito.

Sério, satisfeito, educado e lindo.

Tímido. Fala da vida, dos pés, brinca.

Canta.

Elogia, agrada e se expõe.

Eu disfarço.

Naturalizo.

Sou aquele que o conhece e o recebe.

Quero seu corpo e permito sua vaidade.

Ele se envaidece.

Gosta das cores, dos sons e do Sol.

Carrega minha vida nas mãos. Desenvolto e seguro. O que me conforta.

Não peço, não faço nada.

Ele não faz, mas pede. Mesmo não querendo.

Ele sabe que lugar é aqui.

Que as sutilezas são falsas liberdades por detrás dos desejos.

Brinca.

Eu me deixo brincar,

Deixo-me flutuar no espaço lúdico do não.

Deixo-me nascer intérprete do virtual sentido das falas soltas.

Não controlo o que digo e não digo o que controlo.

Ele diz tudo o que quer (?).

Diz o que pode, com jeito de que não pode.

Propõe novos desenhos.

Reforça a tinta dos velhos rabiscos.

Espraio-me em felicidade palpável.

Ele exibe suas glórias de guerras perdidas.

Eu sucumbo em idéias do que virá.

Sinto-me sem nada.

Ele se percebe garboso. Rijo.

Invade.

Afirmo minha leveza entre luzes e poeiras coloridas.

Percebo sua reverência e seu deboche no desconforto de saber-se meu.

Eu o tenho, assim ele quer agora. Eu me tenho, assim ele prefere.

Saber-se meu é sua redenção e sua culpa. Ele está pleno.

Ele me quer, mas não me alcança. Eu o quero, mas não o suporto, fujo.

No espelho onde só minha imagem entra, reintegro-me. E assim abrigado rio.

No íntimo o mais recôndito e puro e vivo ardor renova a face corada. Ele se arrepia.

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