quarta-feira, 4 de junho de 2008

Ontem fiquei cego.




Estava fatigado, cansado.


E, ao caminhar em direção à luz da varanda, ao barulho frenético do shopping lá fora,
perdi o foco, perdi os contrastes e a nitidez. Sem brilho. Uma lama preta se apossou da minha vista.


Apago.


Acordo no chão, o chão de onde eu acabara de sair, perdido, com frio sem saber onde estava, sem data, sem endereço.
O que estava acontecendo, quantos blecautes viriam, porque eu nao consigo me manter de pé?


Tento uma nova saída, o outro lado do corredor,
preciso me manter vivo, aceso.
Me sinto mais orgânico, consigo respirar.


Paro, e a vertigem vem, de baixo pra cima. Do calcanhar.
E esfacela meus joelhos como esfacelará minha coluna e o cortex cerebral.
Sinto a cabeça bater, mas não sei como ou onde, novamente nao enxergo.


Estou preso, estou numa caixa acústica, de onde o mundo é alheio, não existe relógio, não existe tempo.
Não existo eu. Não há remorso ou solidão.


Mais uma tentativa, preciso sair desse labirinto, dessa gaiola estofada, fria, entupida e esfumaçada.
Agora, atravesso a porta, a saída.
Ando pelo corredor. Pronto, cego.


Não consigo ver o mundo, não consigo enxergar, quero voltar, quero refúgio, quero estar nauseabundo e torpe.
Elevadores me afligem.


Quando por fim escapo da ratoeira, uma luz infinita e um zumbido lancinante equalizam meus traços.
Verde, luz, vida que segue.

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