
Estava fatigado, cansado.
E, ao caminhar em direção à luz da varanda, ao barulho frenético do shopping lá fora,
perdi o foco, perdi os contrastes e a nitidez. Sem brilho. Uma lama preta se apossou da minha vista.
perdi o foco, perdi os contrastes e a nitidez. Sem brilho. Uma lama preta se apossou da minha vista.
Apago.
Acordo no chão, o chão de onde eu acabara de sair, perdido, com frio sem saber onde estava, sem data, sem endereço.
O que estava acontecendo, quantos blecautes viriam, porque eu nao consigo me manter de pé?
O que estava acontecendo, quantos blecautes viriam, porque eu nao consigo me manter de pé?
Tento uma nova saída, o outro lado do corredor,
preciso me manter vivo, aceso.
Me sinto mais orgânico, consigo respirar.
preciso me manter vivo, aceso.
Me sinto mais orgânico, consigo respirar.
Paro, e a vertigem vem, de baixo pra cima. Do calcanhar.
E esfacela meus joelhos como esfacelará minha coluna e o cortex cerebral.
Sinto a cabeça bater, mas não sei como ou onde, novamente nao enxergo.
E esfacela meus joelhos como esfacelará minha coluna e o cortex cerebral.
Sinto a cabeça bater, mas não sei como ou onde, novamente nao enxergo.
Estou preso, estou numa caixa acústica, de onde o mundo é alheio, não existe relógio, não existe tempo.
Não existo eu. Não há remorso ou solidão.
Não existo eu. Não há remorso ou solidão.
Mais uma tentativa, preciso sair desse labirinto, dessa gaiola estofada, fria, entupida e esfumaçada.
Agora, atravesso a porta, a saída.
Ando pelo corredor. Pronto, cego.
Agora, atravesso a porta, a saída.
Ando pelo corredor. Pronto, cego.
Não consigo ver o mundo, não consigo enxergar, quero voltar, quero refúgio, quero estar nauseabundo e torpe.
Elevadores me afligem.
Elevadores me afligem.
Quando por fim escapo da ratoeira, uma luz infinita e um zumbido lancinante equalizam meus traços.
Verde, luz, vida que segue.
Verde, luz, vida que segue.

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