sexta-feira, 13 de junho de 2008

O Tratado da Futilidade


Ser fútil é:


estar atento para o que não importa, pensar no que não faz diferença, se questionar sobre a superfície, considerar o que não é discurso, é escape.


o que não se aplica, o que não define, o que não se sustenta.

A futilidade não engrandece, não preenche, não tem função, não tem razão.


Neste terreno, o que se afere é um desmembramento dos sistemas complexos que compõem cada coisa em coisinhas que nada são particularmente, elas são as bolhas em erupção, prestes a espocar ploc, plim ou pow. como a bola do chiclete, os fogos de artifício e a propria espuma do mar.


assim, envidraçados no olhar fútil, o tempo e o espaço estilhaçam pois não há engrenagens, não a força motriz, a coisa brutalmente explícita como viva-morta.


E na profusão desordenada de feixes de ação, no fluxo de sinapses aleatórias, como embaralhar o baralho, existe a criação. o novo efêmero etéreo stéreo disforme, e já se foi.

e já se foi, livre, falso, próprio e raro.


A futilidade nunca sera medíocre, medíocre é a rotação da Terra, a rotação dos homens e das formigas.

A futilidade é o infinito. Ela é ridícula, profícua e intesa, porque é iluminada.


um feixe único traçando idiossincrasias letais.

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